É uma característica inerente ao ser
humano o desejo da evolução. Sempre queremos algo a mais. A cada dificuldade ou
etapa vencida, tratamos logo de listar outra marca a ser superada no futuro. Inclusive,
foi esse fator que sempre determinou nosso progresso durante todos esses
séculos de descobertas e de melhorias em nossa qualidade de vida. Por isso, cada
pessoa tem o seu desejo próprio e singular, sempre definido como o melhor
diante de todos os outros que possam existir como opção. Essa será uma
realidade eterna.
Diante dessa busca pela realização de
objetivos, entra em jogo o fator satisfação. Cada indivíduo tem na busca
pessoal o caminho ideal para se sentir feliz e realizado. Mas o que mais me
intriga é perceber que, mesmo conseguindo progredir impressionantemente, não
nos sentimos totalmente completos em diversos momentos da vida. Mesmo que nos
encontremos em um lugar mais privilegiado do que aquele em que estivemos há
cinco anos atrás, por exemplo, inexplicavelmente, ou por algum motivo pouco
conhecido, lamentamos ocasionalmente de nossa labuta.
Há um
motivo especial para desvendar essa dúvida quanto à insatisfação e aos
queixumes que, por vezes, tomam conta de nosso ânimo? Eu arrisco fazer uma
sugestão. Mas peço, querido leitor, que analise minhas teses, junto à sua
realidade, a fim de confirmar se minhas suposições são verídicas em seu
dia-a-dia. Dois argumentos principais baseiam meus pensamentos. O primeiro é
que esquecemos facilmente de tudo o que alçamos durante toda a vida. Como se
todo o esforço feito para conquistar as etapas tivesse sido simplesmente
esquecido. O segundo é o nosso isolamento em relação a tudo e a todos os que
estão a nossa volta. Este último faz com que não nos demos conta de que nossa
realidade é maravilhosa e que existem milhares de outras pessoas em situações
muito mais graves e lamentáveis do que a nossa.
A verdade é que deveríamos lembrar
um pouco mais de cada um dos dias em que passamos por apuros, reviver cada suor
e cada súplica que fizemos para atingir determinada aspiração. Nossa memória é
fraca quanto a esses acontecimentos. Se recordarmos bem de nossas experiências,
perceberemos o quanto somos vitoriosos e felizardos. Tínhamos é que conviver
mais com realidades menos favorecidas, como por exemplo, visitar asilos, lares
de adoção, hospitais de tratamento de câncer, comunidades extremamente
carentes, clínicas de reabilitação para deficientes físicos. Isso sim nos faria
refletir se somos ou não contemplados pela vida.
Temos, sim, nossos naturais instantes de
descontentamento. Só que esse estado de espírito não deve perdurar por semanas,
meses, ou até anos. Busque, sempre, estar em contato com a verdade dos mais
necessitados. Espelhe-se num exemplo garra e de superação. Entenda que
vislumbrar além é fundamental. Mas o segredo para sentir-se completo é estar em
paz e contente com tudo o que já possuímos e com tudo o que nos tornamos diante
da vida!

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