domingo, 22 de janeiro de 2012

Estamos Satisfeitos?


            É uma característica inerente ao ser humano o desejo da evolução. Sempre queremos algo a mais. A cada dificuldade ou etapa vencida, tratamos logo de listar outra marca a ser superada no futuro. Inclusive, foi esse fator que sempre determinou nosso progresso durante todos esses séculos de descobertas e de melhorias em nossa qualidade de vida. Por isso, cada pessoa tem o seu desejo próprio e singular, sempre definido como o melhor diante de todos os outros que possam existir como opção. Essa será uma realidade eterna.
             Diante dessa busca pela realização de objetivos, entra em jogo o fator satisfação. Cada indivíduo tem na busca pessoal o caminho ideal para se sentir feliz e realizado. Mas o que mais me intriga é perceber que, mesmo conseguindo progredir impressionantemente, não nos sentimos totalmente completos em diversos momentos da vida. Mesmo que nos encontremos em um lugar mais privilegiado do que aquele em que estivemos há cinco anos atrás, por exemplo, inexplicavelmente, ou por algum motivo pouco conhecido, lamentamos ocasionalmente de nossa labuta.
Há um motivo especial para desvendar essa dúvida quanto à insatisfação e aos queixumes que, por vezes, tomam conta de nosso ânimo? Eu arrisco fazer uma sugestão. Mas peço, querido leitor, que analise minhas teses, junto à sua realidade, a fim de confirmar se minhas suposições são verídicas em seu dia-a-dia. Dois argumentos principais baseiam meus pensamentos. O primeiro é que esquecemos facilmente de tudo o que alçamos durante toda a vida. Como se todo o esforço feito para conquistar as etapas tivesse sido simplesmente esquecido. O segundo é o nosso isolamento em relação a tudo e a todos os que estão a nossa volta. Este último faz com que não nos demos conta de que nossa realidade é maravilhosa e que existem milhares de outras pessoas em situações muito mais graves e lamentáveis do que a nossa.
            A verdade é que deveríamos lembrar um pouco mais de cada um dos dias em que passamos por apuros, reviver cada suor e cada súplica que fizemos para atingir determinada aspiração. Nossa memória é fraca quanto a esses acontecimentos. Se recordarmos bem de nossas experiências, perceberemos o quanto somos vitoriosos e felizardos. Tínhamos é que conviver mais com realidades menos favorecidas, como por exemplo, visitar asilos, lares de adoção, hospitais de tratamento de câncer, comunidades extremamente carentes, clínicas de reabilitação para deficientes físicos. Isso sim nos faria refletir se somos ou não contemplados pela vida.
            Temos, sim, nossos naturais instantes de descontentamento. Só que esse estado de espírito não deve perdurar por semanas, meses, ou até anos. Busque, sempre, estar em contato com a verdade dos mais necessitados. Espelhe-se num exemplo garra e de superação. Entenda que vislumbrar além é fundamental. Mas o segredo para sentir-se completo é estar em paz e contente com tudo o que já possuímos e com tudo o que nos tornamos diante da vida!

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